← penumbria

Lá fora

·1 min

A primeira manhã é a mais estranha.
Você acorda numa cama que não conhece,
em uma cidade que não te conhece,
e ainda assim
o chão te sustenta.

Coisa engraçada:
saber que tudo isso já existia
enquanto você não pensava nisso.

As pessoas atravessam a rua
com a calma de quem sempre atravessou ali —
e atravessavam mesmo,
sem saber que um dia
você ia passar
e achar bonito.

Você compra um pão e paga em dinheiro novo.
A moeda é mais leve do que devia
e mais bonita do que precisa.

Lê letreiros devagar,
não pelo sentido —
pelo som.

Tira foto de uma fachada banal,
manda pra sua mãe, pra sua irmã.
Ela responde com saudade.

E é só aí
que você entende:
saudade não é
o que fica em casa —
é o que viaja com você.