Escolhas de um coração vazio
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Há casas que ficam acesas a noite inteira
porque o escuro pergunta demais.
Há mãos que procuram outras
para se sentirem vivas.
Há quem confunda
toque com cura,
plateia com voz,
qualquer rosto com espelho.
Quem está aberto demais por dentro
deixa o vento entrar
por onde o vento quiser.
E o que parece entrega
às vezes é só corrente de ar
passando entre duas portas
que ninguém soube fechar.
Não é mentira.
É o que se faz
com o que falta
sem nome.
Quem se fere assim
fere sem querer —
repete num outro
o gesto antigo
de quem não soube ainda
desfazer
o próprio.